Com licença, vou me Amar

O que aprendi em 10 dias de silêncio... bem, escreveria um livro ou mais com tanto aprendizado, porém escolhi compartilhar com vocês o mais importante em minha vida.


Sou mulher, e como tal, acostumada a tagarelar na vida externa como filha, mãe, amiga, profissional, namorada, palestrante, educadora, e ainda tem todos os bichos de 307 cabeças dentro da minha própria cabeça, falando todos ao mesmo tempo Priscila não faça assim, Priscila seja mais esperta, Priscila você esqueceu de pagar a conta, Priscila, Priscila..

 Um reconhecimento pelo campo mais sagrado que já adentrei: meu próprio corpo. Meu Deus, quanta gratidão por esquadrinhar cada pedacinho reconhecendo a perfeita engenharia que conecta tudo. Uma obra orquestrada milimetricamente sem que haja uma só desarmonia que não seja logo recuperada.


Uma loucura interna que foi apreciada, respeitada e integrada num período de total auto-amor.


Ah, o corpo humano! Quanta beleza inexplorada com o olhar do interior. Pude sentir cada parte que compõe o todo numa dança sem críticos para avaliar, apenas a apreciação do fluxo de existir! Se havia celulite, cabelo despontado, olheiras, gordurinhas localizadas ou qualquer outra neura com aparência, estas foram totalmente extirpadas por nem caberem em parte alguma que compõe meu corpo.

 É, no início a mente te leva aos devaneios do passado e aos medos pelo futuro, mas rapidamente a respiração te chama para seguir o entrar e sair da vitalidade, o Ar! Coisa que jamais paramos para sentir, esta singela palavra, AR, representa toda essência que nos permite existir aqui na terra, e nós, nem tomamos conhecimento dele.


Cada inspiração, expiração, inspiração, expiração trazia consigo um mar de possibilidades que meu próprio corpo apresentava para conversar sem que houvesse uma única palavra, apenas sensações.


Sensações que me apresentavam a impermanência da vida, o estado de mudança contínua, não importando se era amor, dor, calor, arrepio, formigamento, frio, sensibilidade, alegria, êxtase, taquicardia, sudorese... eram tantas informações num silêncio absoluto, que me preenchia de mim mesma. Tudo aquilo, que eu nem preciso definir, sou Eu! Uma explosão de energia, movimentando o tempo todo, sem nenhuma fixação ou cobrança, apenas a fluência da energia que compõe meu Ser.


E hoje, peço licença para dividir minhas conquistas

e compartilhar a possibilidade de Amor verdadeiro, amor por mim mesma, amor por você, que assim como eu, é feito de um mar de possibilidades de energias em um constante movimento que é parte de tudo, formando um Todo.

 

Priscila Gongora